Jornalista da USCS analisou histórias de vida de 14 imigrantes e descendentes da região e identificou população formada por húngaros, austríacos, romenos, lituanos e iugoslavos 

(São Caetano do Sul – SP) – Em busca de novas oportunidades, imigrantes de diferentes nacionalidades aportaram no ABC Paulista. Assim como o Brasil, a região tornou-se terra de todos os povos, mas a comunidade germânica, em especial, atraiu a atenção da pesquisadora Mariana Lins Prado, que desde 2008 estuda a cultura alemã no Grande ABC. Na última pesquisa, a jornalista analisou as formas de comunicação entre as gerações de imigrantes e seus descendentes e a transformação de seus costumes desde o século 19.

Por meio da história de vida desses personagens, a mestre em Comunicação pela USCS (Universidade Municipal de São Caetano do Sul) deu vida à dissertação Comunidade, Identidade e Memória na comunidade germânica no ABC Paulista. No total, 14 depoentes relataram um hibridismo na cultura germânica da região, composta por várias nacionalidades. “Alemã, sim, mas também austríaca, iugoslava, lituana, húngara, romena, todas ligadas entre si pela língua, fundamentalmente”, revela Mariana.

Segundo a pesquisadora, a pesquisa identificou hábitos, crenças, valores e sonhos desta população. O trabalho esclarece que as escolas, associações e espaços de convivência são as principais mediadoras – de comunicação – de um processo que mantém viva a tradição germânica na região.  Outros elementos importantes, segundo a autora, “dá caldo cultural dessas comunidades”, como a religião, notadamente a católica e a luterana, as práticas de esporte e lazer e os hábitos culinários.

Outro fator que ajudou a manter viva a tradição germânica, aponta o estudo, foi a criação de escolas, em Santo André e São Caetano, para atender filhos de imigrantes. Mariana ressalta que o ensino de alemão também aos “alemães fora da Alemanha” era preocupação do governo nazista, que sabia da existência das escolas e chegava mesmo a promover festas e outras atividades culturais. “De novo, um sinal da importância do idioma para manter forte a identificação com a cultura germânica.”

A pesquisa sinaliza que a convivência entre pessoas que cultivam os mesmos costumes é essencial para dar continuidade à cultura. Neste caso, duas associações ganham destaque no cenário e são consideradas mediadoras da tradição germânica na região: a Sociedade São Miguel e a Igreja Luterana do ABC, ambas em Santo André. “As missas e práticas espirituais não são suas únicas atividades. Seus espaços servem para encontros esportivos e culturais e mantêm funcionamento até os dias de hoje”, assinala Mariana.

Ao analisar as narrativas de seus personagens, a especialista identificou que além do idioma compartilhado, as experiências com as grandes guerras surgem como um fator comum em todos os relatos. “Algumas vezes, as histórias dos antepassados deixam marcas tão fortes que seus descendentes são capazes de contá-las como se as tivessem vivido em seus próprios anos. Os discursos dos filhos são dotados de uma fluência e riqueza de detalhes que ouvi-los parece mesmo uma viagem no tempo.”

CONTINUIDADE – A pesquisa é complemento de um estudo anterior realizado pela jornalista entre 2008 e 2010, o qual deu origem ao trabalho Comunicação e cultura na ‘Johannes Keller Schule’ em São Caetano do Sul (década de 1930), integrado ao Memórias do ABC – Núcleo de Pesquisas e Laboratório de Produções Midiáticas da USCS. O espaço, que desde 2003 realiza pesquisas envolvidas com questões como memória, imaginário, comunicação e cultura na região é coordenado pela professora Priscila Perazzo, orientadora do projeto de Mariana.

Na avaliação da educadora, trata-se de uma importante investigação sobre um assunto já esquecido. “Todos no ABC concordam que essa região foi formada por diversos fluxos migratórios, mas na memória local, somente os italianos são lembrados. Quando voltamos nosso grupo de pesquisa para o estudo de outras nacionalidades, afloraram tantas outras que fizeram parte da constituição da região”, ressalta Priscila, ao destacar que a dissertação “reúne e organiza uma perspectiva de estudos sobre a comunicação e a cultura alemã na região, com velhas e novas histórias a esse respeito”.

A dissertação de mestrado de Mariana Lins Prado, Comunidade, Identidade e Memória na comunidade germânica no ABC Paulista, está disponível para consulta – na íntegra – no link: http://www.uscs.edu.br/posstricto/comunicacao/dissertacoes/2015/pdf/DISSERTACAO_MARIANA_LINS_PRADO.pdf.

Sobre o Mestrado em Comunicação

O programa de Mestrado em Comunicação da USCS objetiva contribuir com a geração e difusão do conhecimento científico no campo da Comunicação e, com isso, dar consecução à missão da universidade junto à comunidade interna e externa. Pretende ainda contribuir na formação de pesquisadores e docentes com visão crítica e científica do campo da Comunicação face a uma sociedade em constante transformação. Informações sobre o programa: http://www.uscs.edu.br/posstricto/comunicacao/.

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Luciano Domingos da Cruz – tel. 4239-3259 – e-mail: comunic@uscs.edu.br

10/08/2015

Comunidade germânica híbrida preserva cultura alemã no Grande ABC