Estudo avalia comentários de internautas sobre peças publicitárias disponíveis no Youtube

(São Caetano do Sul – SP) – A Internet e, mais especificamente, as mídias sociais, possibilitam a rápida e intensa disseminação de todo tipo de conteúdo pelo mundo inteiro. Além de notícias, há também o compartilhamento de muito conteúdo nonsense – desde paródias engraçadas a atividades moral ou legalmente questionáveis. E a publicidade não fica de fora; algumas peças, por seu conteúdo dissonante, acabam também ganhando forte repercussão online. É o caso da aparição da atriz Fernanda Vasconcellos sem umbigo no comercial de 2011 das Havaianas, da estampa com folha de maconha que aparece no cenário de uma peça do Banco Itaú, de 2012, e também de “Menos Luíza que está no Canadá”, da Construtora Águazul. Os três casos são a base para o estudo “Comentários e dissonâncias em filmes publicitários no YouTube”, do pesquisador Anderson Marcusso.

Até o momento da pesquisa, os três vídeos eram os primeiros e únicos casos brasileiros de dissonância no discurso publicitário encontrados no YouTube e viralizados pela internet. Assim, as peças deixam de ser vídeos publicitários e, no ambiente online, passam a servir apenas como entretenimento, consumido por um público que não foi necessariamente visado pela peça veiculada na televisão.

Para Anderson, a intenção da maioria dos comentários encontrados é “fazer piadas ou ironizar com humor as falhas que os anunciantes cometeram, comprovando que a maioria desaprova as dissonâncias, já que não estariam comentando com tamanha ênfase um filme consonante”. Divertir-se com uma falha demonstra que a pessoa foi capaz de identificá-la e, portanto, tem capacidade de fazer um julgamento. Esse tipo de comentário, então, reflete uma necessidade da pessoa de expor seu entendimento e a si própria, “a fim de ganhar status de inteligentes, informados ou experts, situação encontrada também nas redes sociais off-line tradicionais, por isso a grande participação dando opiniões ou fazendo críticas”, explica o pesquisador.

Para a filósofa e pós-doutora Regina Rossetti, orientadora do trabalho, “a pesquisa que o Anderson realizou foi impressionante, pois a coleta de dados foi realizada manualmente, mais de oito mil comentários foram lidos e recenseados um a um, e posteriormente distribuídos em categorias através de método taxionômico e o resultado mostrou que os usuários ressignificam os filmes postados no YouTube para fazer piadas ou ironizar com humor as falhas que os anunciantes cometeram”.

A dissertação de mestrado de Anderson Marcusso está disponível para consulta – na íntegra – no link:

http://www.uscs.edu.br/posstricto/comunicacao/dissertacoes/2013/pdf/DISSERTACAO_ANDERSON_MARCUSSO.pdf

O programa de Mestrado em Comunicação da USCS objetiva contribuir com a geração e difusão do conhecimento científico no campo da Comunicação e, com isso, dar consecução à missão da USCS junto à comunidade interna e externa. Pretende ainda contribuir na formação de pesquisadores e docentes com visão crítica e científica do campo da Comunicação face a uma sociedade em constante transformação. Informações sobre o programa: http://www.uscs.edu.br/posstricto/comunicacao/.

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21/01/2015

Dissonâncias em filmes publicitários são tema de pesquisa na USCS