Dissertação de mestrado analisa letras e partituras de peças publicitárias que fazem referências às crianças

(São Caetano do Sul – SP) – A publicidade no rádio surgiu no início da década de 1930, quando foi autorizada pelo então presidente Getúlio Vargas. Desde então, não parou mais de ser utilizada por marcas, produtos e serviços, na incessante busca pela atenção dos consumidores. E é para os jingles que se volta o interesse da pesquisadora Danuza Pessoa Polistchuk, autora da dissertação “Os elementos narrativos simbólicos dos contos de fadas presentes nos jingles infantis”. Seu interesse volta-se, em especial, para a identificação de três elementos simbólicos dos contos de fadas – o herói, o antagonista e o auxiliar mágico – nas letras e características sonoras de peças infantis, voltadas para as crianças, ou infantilizadas, voltadas para adultos.

Para chegar ao grupo de jingles, Danuza identificou exemplos interessantes, entre as mais de 350 peças de todas as épocas disponíveis no site Clube do Jingle. “Além disso”, ela explica, “para que essas peças infantilizadas pudessem ser selecionadas, elas precisavam ter em suas letras ou elementos sonoros (vozes, timbres e efeitos) qualquer referência às crianças”. Foram encontradas 22 peças atendendo a esses critérios. Após essa fase, a pesquisadora manteve apenas aquelas em que é possível reconhecer, nas letras, algum dos três elementos simbólicos dos contos de fadas. Daí resultaram cinco peças para análise: os jingles do produto Cremogema, da marca de calçados infantis Ortopé, da fabricante de material escolar Faber Castell, da fabricante de brinquedos Estrela e da mascote Ronald McDonald.

Na maioria dos casos, segundo as análises de Danuza, a figura da criança é reconhecida no herói, enquanto a figura do anunciante surge frequentemente como o auxiliar mágico.

“Essa relação pode ser explicada, igualmente, pelos objetivos mercadológicos de quem anuncia. Ao mostrarem os consumidores como protagonistas das peças e apresentarem marcas/produtos anunciantes como amigos que ajudam os consumidores a conquistar aquilo que desejam, as propagandas musicadas utilizam essa relação como estratégia de comunicação com o objetivo de envolver o ouvinte e fazer despertar nele simpatia pela marca e/ou produto anunciados”, explica. E não são somente as letras as responsáveis por estabelecer essas relações. A pesquisadora observa que também os aspectos musicais contribuem para o reconhecimento desses elementos, e que os sinais expressivos das partituras podem sugerir as emoções de alegria e ternura. “As emoções positivas sugeridas nas músicas podem envolver o consumidor, fazer suscitar lembranças agradáveis e trazer à tona sentimentos bons que podem ser associados ao anunciante”, avalia.

Orientador do trabalho de Danuza, o doutor em Comunicação e Semiótica Herom Vargas afirma que “a pesquisa demonstra como uma canção, no caso o jingles, pode gerar séries de significados importantes e expressar aspectos de destaque na produção de um comercial”.

A dissertação de mestrado de Danuza Pessoa Polistchuk está disponível para consulta – na íntegra – no link:

http://www.uscs.edu.br/posstricto/comunicacao/dissertacoes/2013/pdf/danuza_pessoa_polistchuk.pdf

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12/12/2014

Elementos dos contos de fadas em jingles infantis são tema de pesquisa na USCS