Pesquisador da USCS analisou textos, músicas e fotografias de artistas da Paraíba e constatou interação entre cultura popular, religiosidade e natureza

(São Caetano do Sul – SP) – A popularização da Internet no Brasil facilitou o acesso a manifestações artísticas produzidas fora do eixo Rio de Janeiro – São Paulo. Na última década, culturas do Norte, Nordeste e Centro-Oeste também passaram a ser consumidas e compartilhadas mundialmente, fenômeno que motivou uma pesquisa acadêmica, desenvolvida na USCS (Universidade Municipal de São Caetano do Sul), para avaliar os aspectos estéticos-culturais na obra Visagens nordestinas, concluída em 2012 e que engloba o livro Nordeste desvelado e o CD Nordeste oculto.

A dissertação de Mestrado do jornalista Raron de Barros Lima Moura, Inovação e hibridismo na obra ‘Visagens Nordestinas’, foi concluída no primeiro semestre e observa as manifestações artísticas no trabalho do fotógrafo Augusto Pessoa, nos textos do músico Alberto Marsicano e nas canções da banda paraibana Cabruêra. A primeira constatação do pesquisador é uma proposta “híbrida e inovadora”, com linguagens fotográficas, sonoras e textuais que interagem com a cultura popular, a religiosidade e as belezas naturais do Nordeste brasileiro.

Para desenvolver a pesquisa, Raron selecionou dez canções e 46 fotografias dos artistas. “As músicas foram descritas e analisadas nos quesitos letras, ritmos e elementos sonoros. Já as fotografias passaram pelo processo de análise em seus aspectos visuais, como luz, textura e composição de quadro”, explica, ao esclarecer que a obra pode ser apreciada de duas maneiras: completa (fotografia, canções e textos) ou individualizada, ou seja, o álbum pode ser baixado separadamente pela Internet.

O trabalho científico evidencia ainda como esses artistas fizeram seus projetos conversarem. A primeira observação é quanto à estética árida, áspera e os tons terrosos nas fotografias captadas do meio ambiente nordestino. “Ele (Augusto Pessoa) também apresentou a festividade, a alegria e personalidades da cultura popular”, ressalta o jornalista.

No livro, houve hibridações com as fotografias, os textos de Alberto Marsicano e as canções da Cabruêra. “O sincretismo religioso apareceu nas fotografias de Pessoa”, pontua Raron. O hibridismo no CD fica evidente pela mistura de elementos rítmicos e instrumentais. “Bateria e percussão trabalharam com a mistura de ritmos afro-brasileiros e indígenas, como toré, maculelê e pontos de umbanda. As guitarras e os baixos mesclaram ritmos, como o funk e o forró”, completa o autor da dissertação.

Estudo aponta aspectos de inovação e hibridismo na obra ‘Visagens nordestinas’