Inovações na produção nacional despertam interesse da academia

(São Caetano do Sul – SP) – História em quadrinhos nascida no Japão, o mangá tem grande aceitação no Brasil – tanto da parte de público, como da parte dos artistas interessados em produzir histórias, nesse estilo, em terras tupiniquins. O país tem, afinal, o maior contingente de descendentes de japoneses em todo o mundo.

Graduado em Criação e Produção Publicitária, Comunicação Social e Publicidade pela Universidade Nove de Julho, Victor Wanderley Corrêa se propôs a estudar essa produção nacional de mangás, destrinchando suas particularidades estéticas e influências culturais. “Embora o mangá seja um produto cultural, de extrema simbologia japonesa, a inserção de colônias nipônicas no país deu a seus descendentes uma visão completamente diferente, que integra tanto questionamentos originais do Japão como também de nosso Brasil”, aponta.

Autor da dissertação “Inovações no mangá brasileiro moderno”, Victor estudou Holy Avenger, série mensal fechada produzida no Brasil, exportada e premiada aqui e no exterior e Combo Rangers, mangá nascido na Internet, importado ao papel e devolvida às origens virtuais.

O pesquisador destaca que referenciar uma arte a partir de outra não significa assumir os traços culturais de outros povos. “Portanto, ao invés de ser um mangá, ela é na verdade uma história em quadrinhos em estilo mangá, que seria o estilo japonês de contar as suas histórias por meio dos quadrinhos”. Holy Avenger, por exemplo, não está completamente imersa no estilo mangá. Seu enredo, voltado ao público juvenil, faz referência a problemas típicos do jovem brasileiro, e mesmo sua linguagem, suas onomatopeias, são bastante abrasileiradas. “Essa tendência segue com todas as demais obras produzidas posteriormente a Holy Avenger e Combo Rangers, demonstrando que o valor conquistado com as técnicas do estilo e narrativa, sem por sua vez conter uma mensagem ao público japonês, mas ao público brasileiro, que dá aos autores a necessidade de ilustrar obras de sua realidade conhecida, de onde estão inseridos e para um público que reconheça e identifique-se na obra”, reforça.

Victor afirma que a assimilação das técnicas orientais às histórias em quadrinhos nacionais é um processo gradativo, “similar ao próprio processo que o Japão passou com suas produções artísticas no final do século XIX, se tornando uma nova forma de experimentação e firmando as raízes dos bons resultados como ferramentas para a construção de novas formas de expressão e trabalhos que buscam qualidade, tanto no exterior como no Brasil”.

Para o professor doutor Roberto Elísio dos Santos, orientador do trabalho de Victor e vice coordenador do Observatório de Histórias em Quadrinhos da ECA-USP, “esta pesquisa evidencia um processo de hibridização cultural, no caso entre elementos orientais e brasileiros, ocorrido no âmbito da mídia massiva, o que configura uma inovação nos aspectos da linguagem, da narrativa e da estética”.

A dissertação de mestrado de Victor Wanderley Corrêa está disponível para consulta – na íntegra – no link:

http://www.uscs.edu.br/posstricto/comunicacao/dissertacoes/2013/pdf/DISSERTACAO_VICTOR_WANDERLEY_CORREA.pdf

O programa de Mestrado em Comunicação da USCS objetiva contribuir com a geração e difusão do conhecimento científico no campo da Comunicação e, com isso, dar consecução à missão da USCS junto à comunidade interna e externa. Pretende ainda contribuir na formação de pesquisadores e docentes com visão crítica e científica do campo da Comunicação face a uma sociedade em constante transformação. Informações sobre o programa: http://www.uscs.edu.br/posstricto/comunicacao/.

Mais informações à imprensa:

Universidade Municipal de São Caetano do Sul – Assessoria de Comunicação

Luciano Domingos da Cruz – tel. 4239-3259 – e-mail: comunic@uscs.edu.br

17/12/2014

Mangá brasileiro moderno sob as lentes de pesquisa na USCS