Ênfase do estudo recai sobre a comunicação e da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos

(São Caetano do Sul – SP) – No decorrer dos anos, informações mercadológicas apontam um crescente número de pessoas declaradas sem religião. O censo realizado em 2010 pelo IBGE diferenciou, pela primeira vez, aqueles declarados ateus dos chamados agnósticos. “Esses números chamam a atenção pelo fato do total dos denominados sem religião, somados aos ateus e agnósticos, representarem aproximadamente 15 milhões de brasileiros, destaca Sérgio Luís de Martin, atuante no mercado publicitário há 30 anos e também professor universitário.

Autor da dissertação “Comunicação e ateísmo: Novas contexturas no Brasil”, Sérgio preocupou-se em estudar, principalmente, as maneiras como as pessoas sem religião no país são retratadas pela mídia, bem como de que modo realizam sua própria comunicação. “Em textos leigos e científicos consultados, parece que no Brasil os ateus são considerados seres fora da sociedade, carregando todo tipo de estigmas negativos pela sociedade em geral, mas que tentam obter espaços na mídia brasileira, tanto para expressar seus ideais, como para responder ou contra-atacar opositores”, explica. O pesquisador valeu-se das menções à palavra “ateu” em veículos de comunicação de grande circulação nacional, como a Folha de S. Paulo, o Estado de São Paulo e a revista Veja, bem como realizou um estudo de caso com a entidade ATEA – Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos.

Para Sérgio, os ateus e agnósticos, assim como outras minorias sociais, sofrem discriminação no Brasil. “Ateus também são atacados por religiosos e tidos por diversos grupos e instituições, inclusive da indústria da comunicação, como pessoas sem caráter, sem escrúpulo, sem limites, quase que um marginal com atitudes maléficas. Embora haja indícios que esta situação tenha melhorado, parece que tal dinâmica está numa reversão lenta e silenciosa”. Quanto aos veículos de comunicação, a pesquisa aponta que muitos dos espaços religiosos são preenchidos por grupos católicos e evangélicos – alguns de grande representatividade financeira, inclusive. “As emissoras brasileiras ostentam em sua grade de programação extensos horários para as correntes religiosas, de forma que as opções ateístas ficam ofuscadas com tanta visibilidade”.

A ATEA, por exemplo, não consegue emplacar peças publicitárias na televisão. Além da falta de recursos, aponta-se que a discriminação e o preconceito diante das ideias ateias são fortes fatores de impedimento. “A alternativa tem sido o uso de websites e redes sociais digitais tais como blogs, Twitter, Facebook, Youtube”, conta o pesquisador, “que oferecem possibilidades massivas menores, mas proporcionam espaço extenso para debate e interatividade”. Para Sérgio, é preciso que a sociedade rompa com paradigmas culturais e sociais ultrapassados e avance no aprendizado sobre como conviver em meio às diferenças. “A luta ateísta transcende o campo religioso e se aporta no campo dos direitos, da justiça, da lógica, do respeito humano, ou seja, é uma luta contra a irracionalidade, o desprezo, a intolerância e a imposição forçada das ideias da maioria”.

Livre-docente e pesquisador da casa, o orientador do trabalho de Sérgio, Gino Giacomini Filho, afirma que “o trabalho tenta romper com o paradigma da religiosidade no Brasil, postura essa que domina os conteúdos dos meios de comunicação no país”. Oferece uma base objetiva para a sociedade refletir sobre o ateísmo como opção legítima e democrática adotada por um contingente crescente de brasileiros.”

A dissertação de mestrado de Sérgio Luís de Martin está disponível para consulta – na íntegra – no link:

http://www.uscs.edu.br/posstricto/comunicacao/dissertacoes/2014/pdf/Dissertacao_SergioLuisdeMartin.pdf

O programa de Mestrado em Comunicação da USCS objetiva contribuir com a geração e difusão do conhecimento científico no campo da Comunicação e, com isso, dar consecução à missão da USCS junto à comunidade interna e externa. Pretende ainda contribuir na formação de pesquisadores e docentes com visão crítica e científica do campo da Comunicação face a uma sociedade em constante transformação. Informações sobre o programa: http://www.uscs.edu.br/posstricto/comunicacao/.

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11/12/2014

Mídia, religião e intolerância religiosa no Brasil são temas de pesquisa na USCS