Análise aborda clipes de artistas brasileiros entre os anos 1990 e 2010

(São Caetano do Sul – SP) – Desde o seu surgimento nos anos 1970, impulsionado pela força da indústria musical, o videoclipe vem constituindo sua própria identidade entre as influências e experimentações do cinema e do vídeo. De lá para cá, o desenvolvimento das tecnologias digitais de edição, animação e pós-produção tem ampliado ainda mais as possibilidades que o videoclipe pode explorar. A linguagem motion graphics se insere como mais uma, portanto, potencialidade criativa na vasta e intensa relação entre som e imagem.
E foi exatamente este o tema de interesse que levou o profissional e professor da área de Rádio e TV, Luciano de Souza, a aprofundar os estudos e desenvolver a dissertação “Música em movimento: a linguagem motion graphics nos videoclipes brasileiros (1990-2010)”.
Luciano explica que o termo é utilizado para se referir à “composição visual e manipulação de imagem em movimento por computador”, o que permite que diferentes tipos de representação audiovisual, como vídeos, fotos e elementos gráficos, sejam animados. A fim de identificar como essa técnica aparece nos videoclipes, além de examinar quais aspectos estéticos proporcionaram algum tipo de inovação na construção e na narratividade desse tipo de produto audiovisual, Luciano se propôs a analisar videoclipes de artistas brasileiros lançados entre os anos 1990 e 2010 e que, além disso, tenham sido indicados a alguma categoria do VMB (Video Music Awards), premiação promovida pela MTV. Entre os objetos de estudo do professor estiveram, então, clipes como “Flores”, dos Titãs, “Instinto coletivo”, d’O Rappa e “Bossa Nostra”, da Nação Zumbi.
Para o pesquisador, uma das principais marcas do motion graphics e o mesmo dos produtos audiovisuais – considerando os videoclipes, em especial, é o hibridismo. “O motion graphics há muito já não deve ser visto apenas como ‘gráficos com movimento’, e sim como uma linguagem que permite a interação com outras. Talvez aí esteja a razão do seu sucesso e de sua crescente utilização no mercado audiovisual”, explica. Se dos anos 1980 até meados de 1990 o padrão de produção dos videoclipes eram as performances das bandas e o uso de chroma key, o desenvolvimento dos softwares e o uso do motion graphics representou uma forte inovação da linguagem do segmento. Contudo, Luciano aponta para uma saturação da linguagem. “Uma crítica constante em relação à utilização do motion graphics é a falta de preparo e repertório dos editores e finalizadores. A falta de um estudo contínuo por parte da equipe para otimizar todas as possibilidades criativas das linguagens às quais está associado, como design, cinema, animação, fotografia etc., acabam gerando no mercado um excesso de projetos e modelos copiados (templates) que sofrem pequenas mutações para atender a este ou aquele nicho de público”. Ainda assim, o pesquisador reafirma o caráter híbrido da linguagem a deixa aberta uma brecha para novidades e reinvenções – o motion graphics está em constante mudança.
Doutor em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e pesquisador da música popular e suas relações com as mídias nos âmbitos cultural e de linguagem, Herom Vargas foi orientador do trabalho de Luciano e ressalta que “essa pesquisa demonstra como a tecnologia é importante não apenas na composição musical mas também na criação de novas mídias para a divulgação da música popular”.
A dissertação de mestrado de Luciano de Souza está disponível para consulta – na íntegra – no link:
http://www.uscs.edu.br/posstricto/comunicacao/dissertacoes/2012/pdf/LUCIANO_DE_SOUZA.pdf

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03/02/2014

Pesquisa investiga potencial criativo da linguagem motion graphics em videoclipes