Foco do estudo é voltado para as representações dos conflitos morais e éticos enfrentados pelos jornalistas na filmografia contemporânea

(São Caetano do Sul – SP) – Desde o início do século XX, o cinema reproduz os possíveis conflitos dos profissionais da imprensa diante da na captação, checagem e divulgação das informações. Repórteres, editores e fotógrafos são representados no exercício de suas profissões, aplicando ou não os códigos deontológicos do jornalismo em pontos práticos de seu cotidiano. E é justamente em torno de como a personagem do jornalista no cinema age ao se deparar com conflitos morais e éticos, tendo como referência a função social que a profissão propõe, que se debruça a dissertação de Aguinaldo Pettinati, “A verdade recriada: Códigos deontológicos da prática jornalística no cinema”.

Graduado em Jornalismo e Direito, o pesquisador analisou os filmes Veronica Guerin (O Custo da Coragem), O Informante, O Preço da Uma Verdade, Paparazzi, Intrigas de Estado, Todos os Homens do Presidente, Sob Fogo Cerrado, Repórteres de Guerra e Mera Coincidência. Tendo como suporte filmes de diferentes momentos históricos, abriu-se a possibilidade de se analisar a evolução do jornalismo e seus objetivos.

Na seleção de Aguinaldo, a profissão surge como principal estrela das produções cinematográficas, retratada na busca por sua identidade entre o entretenimento e a informação, no conflito entre a credibilidade e seu inerente caráter comercial. “O jornalismo permanece refém dos jogos dos poderes e do poder econômico, tornando os profissionais de imprensa marionetes nas mãos dos grandes conglomerados midiáticos”, analisa. Já para os personagens jornalistas, “é a verdade individual, apoiada ou não pela ética, perguntando sobre a sua conduta humana, que terá efeitos e reflexos nas sociedades e instituições como um tudo”. E, de acordo com a linguagem cinematográfica, essas ações são reforçadas por “fatores socioculturais, a família, o contexto em que a situação se apresenta e inclusive a vontade íntima do agente, falível, convivendo com o bem e o mal e com as consequências provadas por suas atitudes”.

Segundo a interpretação vista no cinema, não é possível ao jornalista chegar à verdade dos fatos sem livrar-se da subjetividade que caracteriza o humano. Mas também a estrutura midiática, que vende a notícia como um produto a ser explorado visando o lucro, é também retratada como o cenário em que está mergulhado o jornalista – muitas vezes, mais forte que ele próprio. “Muitas vezes não há um único caminho ou uma máxima sem que se passe pelo sacrifício do protagonista. Por isso está de volta a nitidez do caráter individual da virtude que a verdade em si exige”, explica o pesquisador.

Para a orientadora do trabalho de Aguinaldo, a filósofa com doutorado e pós-doutorado pela USP, Regina Rossetti, “a pesquisa realizada pelo Aguinaldo foi extensa e detalhada, o corpus da análise fílmica foi abrangente composto por um número significativo de filmes importantes sobre o jornalismo e desafios éticos envolvendo a questão da verdade. Trata-se de uma pesquisa interdisciplinar, complexa e bem executada , englobando jornalismo, filosofia, direito e cinema.

A dissertação de mestrado de Aguinaldo Pettinati está disponível para consulta – na íntegra – no link:

http://www.uscs.edu.br/posstricto/comunicacao/dissertacoes/2014/pdf/aguinaldo_ricciotti.pdf

O programa de Mestrado em Comunicação da USCS objetiva contribuir com a geração e difusão do conhecimento científico no campo da Comunicação e, com isso, dar consecução à missão da USCS junto à comunidade interna e externa. Pretende ainda contribuir na formação de pesquisadores e docentes com visão crítica e científica do campo da Comunicação face a uma sociedade em constante transformação. Informações sobre o programa: http://www.uscs.edu.br/posstricto/comunicacao/.

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17/12/2014

Pesquisa na USCS analisa fazer jornalístico retratado no cinema