Entrevistas com atores e atrizes revelam a história da prática teatral na região

(São Caetano do Sul – SP) – Nem a industrialização, nem as lutas sindicais. Fugindo das características que tornaram a região do ABC Paulista tão famosa nacionalmente, a jornalista e pesquisadora Paula Venâncio propôs-se a pesquisar quem são os homens e mulheres que, entre os anos de 1961 a 1990, formaram e desenvolveram a cena teatral da região. Este estudo, contudo, faz parte de um contexto maior: diferentes nuances do assunto já são pesquisadas pelo Núcleo Memórias do ABC (http://memoriasdoabc.uscs.edu.br/), um espaço para pesquisas e produções midiáticas vinculado ao Laboratório Hipermídias, do PPGCom da Universidade de São Caetano do Sul, desde, pelo menos, 2003.
Fruto do trabalho de diversos pesquisadores – inclusive da própria Paula, já envolvida com o tema desde 2009, durante sua graduação em jornalismo –, os estudos deram origem a um vídeo-documentário intitulado “Imagens e Narrativas do Teatro no ABC paulista de 1950 a 1980” (link: http://memoriasdoabc.uscs.edu.br/videos/imagens-e-narrativas-do-teatro-no-abc-paulista-de-1950-a-1980/), que contempla o contexto histórico da região, a produção dos artistas e grupos amadores, a participação da mulher em cena, a relação dos grupos com os mecanismos de censura e a indicação de uma poética do subúrbio, com a procura pela profissionalização e a preocupação com a construção de uma identidade cultural local. Toda a produção audiovisual do Memórias do ABC está acessível pelo portal: http://www.youtube.com/user/memoriasabc.
O mais recente resultado deste trabalho é a dissertação “A cena do subúrbio – O teatro como meio de comunicação da cultura local na região do ABC paulista”, que teve financiamento da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Em busca de compreender quem são os atores desta “cena do subúrbio”, Paula contou com as narrativas concedidas por 35 homens e mulheres que estiveram diretamente envolvidos com o teatro no ABC Paulista. “Diante das pesquisas já desenvolvidas pelo Memórias do ABC, torna-se evidente que o teatro surgiu na região, como possibilidade de vazão para sensibilidade criadora e forma de interação social entre os trabalhadores e seus familiares. Mas essa compreensão do movimento teatral só é possível quando se leva em consideração os sujeitos da ação e o contexto histórico que os fizeram optar pelo teatro”, explica Paula.

“A produção teatral do ABC, entre os anos de 1961 e 1990, esteve ligada, principalmente, a grupos amadores que surgiram, em sua maioria, em torno de paróquias, clubes desportivos, associações e escolas”, acrescenta. Aos poucos, essas pessoas foram se articulando em busca da valorização de sua manifestação artístico-cultural, de modo a organizar festivais amadores promovidos por federações municipais e estaduais, incentivar a prática teatral ligada aos movimentos populares e sindicais, além de criar espaços de formação profissional.
Mais que registrar pontualmente esses eventos, o texto revela as emoções dos muitos personagens dessa história, seus anseios, expectativas em relação à vida, à arte, à região, à política – o regime militar que vigorava no país até o fim da década de 1980 é um importante fator neste cenário, também. “Para a revolução e reinvenção do subúrbio, os sujeitos precisaram comunicar sua existência e sua cultura. E o teatro foi o meio de comunicação escolhido por muitos dos moradores do ABC paulista para revelar seus imaginários, seus medos, seus anseios e suas conquistas. A prática teatral fez, dos cidadãos, artistas criadores de um circuito cultural popular e alternativo”, conta Paula. “Fazer teatro era uma forma de conquista de espaço de ação, do mostrar-se e de se revelarem como sujeitos criadores, buscando se livrar do estigma de inferioridade, constantemente reforçado pela proximidade com a capital paulista, tida como berço de grandes transformações e inovações da época”.
Orientadora de Paula, a historiadora Priscila Ferreira Perazzo, coordenadora do Memórias do ABC, destaca que “pelo resgate da memória da região do Grande ABC temos a oportunidade de nos compreendermos como cidadãos desse espaço, construindo e reconstruindo a identidade local e acionando o sentimento de pertencimento a uma determinada comunidade. Assim, pesquisas como a da Paula, que se preocupam com tais questões, contribuem efetivamente para esse levantamento que fazemos há alguns anos sobre as várias faces da nossa cultura local”.
A dissertação de mestrado de Paula Venâncio está disponível para consulta – na íntegra – no link:
http://www.uscs.edu.br/posstricto/comunicacao/dissertacoes/2012/pdf/Dissertacao_Completa_PMC2012_Paula_Venancio.pdf

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26/11/2013

Pesquisa põe em cena o teatro no ABC Paulista como meio de comunicação da cultura local