Estudo ação-participativo é desenvolvido com integrantes da Cooperilha, cooperativa de reciclagem do lixo em uma comunidade do Guarujá (SP)

(São Caetano do Sul – SP) – Recordar é um processo cotidiano a quase todo ser humano, realizado praticamente o tempo inteiro. Apesar de tão natural, ele é permeado por muitas questões sobre subjetividade, coletividade e imaginário, por exemplo, além de uma profusão de expressões de sentidos. Pode-se discutir o quanto há de intensidade vivenciada numa memória narrada ou o contrário, o quanto o discurso torna essa experiência mais fria e distante. Essas são as tensões em pauta na pesquisa de mestrado “Contos etnofotográficos na comunidade Cooperilha do Guarujá (SP)”, desenvolvida por Durval Moretto Júnior na Universidade de São Caetano do Sul. Professor universitário e fotógrafo, Durval trabalha com a metodologia do conto etnofotográfico. E é justamente por meio desses contos que o pesquisador busca fomentar ainda mais as discussões sobre memória. “A etnofotografia, ferramenta auxiliar da narrativa do conto, contribui para uma comunicação multicultural em que o uso das imagens colabora para essa meta, ao permitir captar e transmitir o que não é imediatamente transmissível no plano verbal, como certos fenômenos, que só podem ser explicitados no plano das formas sensíveis e de seus significados mais profundos”, explica.

O estudo foi desenvolvido junto à Cooperilha – Cooperativa de Reciclagem da Ilha –, em Santa Cruz dos Navegantes, no Município do Guarujá (SP). Durante um período de seis meses, o pesquisador se encontrou com algumas cooperadas, realizou entrevistas, aplicou oficinas de fotografia e buscou fazer com que elas recontassem, a partir de imagens registradas por elas mesmas, a história da cooperativa e de suas próprias vidas.

O resultado foram sete contos, misturas entre fotos e histórias, que levam o público a conhecer expressões de fé, questões sociais relacionadas à falta de políticas públicas, o cotidiano do trabalho na cooperativa e mesmo relatos pessoais sobre tristeza, por exemplo. “As narrativas de histórias de vida dessas mulheres e suas representações sociais estão presentes em suas fotografias. A fotografia mediou o que queriam expressar e com isso superaram a dificuldade de se comunicarem”, conta Durval. “Por meio das oficinas do conto etnofotográfico que compreenderam quem eram, porque estavam ali e assim construíram suas identidades e utilizaram-se do aprendizado da fotografia para contarem essa história.”

Doutora em História Social pela USP, a orientadora do trabalho de Durval, Priscila Ferreira Perazzo afirma que “a experiência de uma pesquisa ação é transformadora tanto para o pesquiador quanto para os sujeitos que participam da pesquisa. As histórias de vida narradas pelo conto fotorgráfico, construídas a partir de um trabalho etnográfico nos ensinaram isso, pois nos transformaram”.

A dissertação de mestrado de Durval Moretto Júnior está disponível para consulta – na íntegra – no link:

http://www.uscs.edu.br/posstricto/comunicacao/dissertacoes/2013/pdf/DISSERTACAOMESTRADOCONTOSETNOFOTOGRAFICOSNACOPERILHA.pdf

O programa de Mestrado em Comunicação da USCS objetiva contribuir com a geração e difusão do conhecimento científico no campo da Comunicação e, com isso, dar consecução à missão da USCS junto à comunidade interna e externa. Pretende ainda contribuir na formação de pesquisadores e docentes com visão crítica e científica do campo da Comunicação face a uma sociedade em constante transformação. Informações sobre o programa: http://www.uscs.edu.br/posstricto/comunicacao/.

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27/11/2014

Pesquisa promove comunicação de histórias de vida por meio da fotografia