Segundo pesquisadora da USCS, 95% das videoaulas usadas em EaD apresentam caráter instrucional; gêneros menos usados pelos educadores virtuais são auditório, estúdio e externa

(São Caetano do Sul – SP) – A Internet não modificou apenas os hábitos de consumo e relacionamento da sociedade. Com o advento das novas tecnologias, educadores migraram para o mundo online para disseminar o conhecimento e, por meio das plataformas de EaD (Educação a Distância), uma das principais estratégias adotadas para tornar o conteúdo atrativo aos alunos é a videoaula. Diante da constatação, a jornalista Cláudia Rodriguez Dominguez decidiu estudar como os professores se apropriam dos formatos de programas de TV brasileiros para desenvolver aulas no ambiente virtual.

Na dissertação O saber na tela: apropriação de gêneros e formatos televisivos em videoaulas para EAD, a mestre em Comunicação pela USCS (Universidade Municipal de São Caetano do Sul) Cláudia Rodriguez Dominguez analisou 20 videoaulas, oferecidas em quatro plataformas distintas, e identificou que todas são do gênero educativo, por apresentarem informação e conhecimento de caráter instrutivo. O formato televisivo encontrado com maior frequência na amostra selecionada pela pesquisadora foi o instrucional, presente em 95% dos casos analisados.

A explicação para este formato ser tão popular é simples: a videoaula instrucional orienta o telespectador a realizar algum trabalho específico nas mais diversas áreas. “Esperava-se observar este formato já que a ideia deste (estudo) é orientar o telespectador a realizar alguma tarefa ou atividade profissional, além de instruir a audiência a resolver problemas cotidianos”, esclarece Cláudia.

A teleaula, que é meramente educativa, apareceu em 11 vídeos, ou 55% da amostra. Na sequência, a narração em off foi identificada em 40% do corpus e é mais comum em documentários e entrevistas. Apesar de ser um formato muito conhecido na televisão brasileira, o programa de auditório foi identificado em apenas cinco videoaulas. Assim como os formatos estúdio e externas, observados em 5% da amostragem, as menores incidências.

Com 14 anos de experiência na área televisiva, a profissional identificou que lançar mão de recursos audiovisuais com parâmetros televisivos pode facilitar o processo de produção e execução de videoaulas. “Entendemos que a televisão como veículo audiovisual com maior proximidade da vida real pode, a partir do know-how adquirido por décadas, subsidiar de ferramentas as videoaulas em EaD”, defende.

Na avaliação da pesquisadora, o estudo ajuda a entender que, em se tratando de videoaulas em EaD, o conteúdo pedagógico pode e deve ser adaptado às características da mídia televisiva. “Com os recursos de edição, computação gráfica e de designer educacional, uma videoaula tende a ser eficiente, com possibilidade de grande alcance e interesse dos alunos”, opina a autora da pesquisa.

NOVOS ROTEIROS – Na conclusão do estudo, Cláudia sugere roteiros baseados em formatos televisivos para a produção de aulas a distância. No caso de discussões teóricas, analíticas ou de múltiplas opiniões, o ideal, segundo a pesquisadora, é utilizar formatos debate, entrevistas e mesa-redonda. Já o talk show pode ser usado para dar leveza a algum tema de difícil compreensão. “O aluno tem contato com o tema por meio de novas percepções estimuladas pelo professor e por seu convidado especialista no assunto”, recomenda.

O terceiro formato sugerido pela jornalista é a enquete. “Frequentemente utilizados em programas de humor e de teledramaturgia, podem ser usados para atrair o aluno para um tema complexo”, afirma. Por fim, o game show é sugerido como uma alternativa para testar o conhecimento do aluno. “As sugestões pretendem estimular professores e roteiristas a pensar e produzir videoaulas tendo como suporte a experiência da televisão, consagrado meio popular de comunicação e de inesgotáveis possibilidades de criação”, conclui Cláudia.

Segundo o orientador de Cláudia Dominguez, o Prof. Dr. Elias Goulart, “o projeto de pesquisa da aluna lança luz em um tema importante e atual da EAD, pois com o atual estágio dessa modalidade de educação, melhores recursos podem e devem ser agregados aos materiais de estudo, sempre considerando as demandas impostas a esse novo perfil de estudante. Espera-se contribuir com a absorção de outros formatos televisivos para a criação das videoaulas pelas entidades produtoras”, salienta Goulart.

A dissertação de mestrado de Cláudia Rodriguez Dominguez, O saber na tela: apropriação de gêneros e formatos televisivos em videoaulas para EAD, está disponível para consulta – na íntegra – no link:

http://www.uscs.edu.br/posstricto/comunicacao/dissertacoes/2014/pdf/Dissertacao_ClaudiaRodriguezDominguez.pdf

Sobre o Mestrado em Comunicação da USCS

O programa de Mestrado em Comunicação da USCS objetiva contribuir com a geração e difusão do conhecimento científico no campo da Comunicação e, com isso, dar consecução à missão da universidade junto à comunidade interna e externa. Pretende ainda colaborar na formação de pesquisadores e docentes com visão crítica e científica do campo da Comunicação face a uma sociedade em constante transformação. Informações sobre o programa: http://www.uscs.edu.br/posstricto/comunicacao/.

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03/06/2015

Professores usam formatos de programas de TV para ‘incrementar’ aulas no ambiente online