A partir de experiências bem-sucedidas em Portugal e na Finlândia, pesquisador mostra como o sistema é adequado para o programa Telecurso da Fundação Roberto Marinho, no ar desde 78

(São Caetano do Sul – SP) – Os cursos de EaD (Educação a Distância) estão em expansão no Brasil. Segundo o último Censo da Educação Superior, realizado pelo MEC (Ministério da Educação) em 2012, o crescimento de matrículas nesta modalidade foi de 12,2% naquele ano, 9,1% a mais do que a educação presencial. Para compreender novas técnicas de ensino dentro do ambiente virtual, o mestre em Comunicação pela USCS (Universidade Municipal de São Caetano do Sul), Moacyr Vezzani Neto, desenvolveu pesquisa pautada no uso do Sistema Brasileiro de TV Digital como elemento de inovação para melhorar a educação no país.

Graduado em Rádio e TV, com especialização em Didática e Metodologia no Ensino Superior, oprofessor de EaD estudou o caso da TV Escola Digital Interativa e dois experimentos de T-Learning, um na Finlândia e outro em Portugal, e observou que os recursos da TV Digital são adequados para o programa Telecurso da Fundação Roberto Marinho. A pesquisa resultou na dissertação Educação Interativa: o sistema brasileiro de TV Digital como instrumento inovador de mediação para a prática de EaD, que discute como viabilizar uma rede universal de educação a distância para suprir a demanda por educação formal.

De acordo com o trabalho de Vezzani Neto, a convergência de tecnologias que permeia os meios de comunicação possibilita que usuários consumam ou produzam conteúdos por meio de qualquer plataforma digital por uma única interface ou tela. “É com base nessa nova perspectiva de consumo de produtos televisivos que pode ser incrementada a educação a distância a partir dos recursos do Sistema Brasileiro de TV Digital”, sugere.

O autor considera que a alternativa para elevar a escolaridade da sociedade é o investimento em plataformas de educação a distância as quais sejam acessíveis à população de baixa renda. “É importante que essa plataforma seja de fácil compreensão para que não crie barreiras tecnológicas para o acesso”, esclarece o pesquisador, ao explicar que a metodologia do Telecurso da Fundação Roberto Marinho, no ar desde 1978, explora pouco a interatividade, tornando o programa “pouco atrativo”, segundo o pesquisador.

Apesar disso, o Telecurso já formou mais de 6 milhões de estudantes utilizando métodos de teleaulas baseadas em teledramaturgia. Mas a pesquisa do educador mostra que por ser um programa de televisão, está em conformidade com todas as possibilidades técnicas e aplicações possíveis do Sistema Brasileiro de TV Digital. “O formato possibilita a introdução das tecnologias por se tratar de um programa educacional que necessita de material complementar para incrementar as possibilidades de ensino-aprendizagem.”

NOVA REALIDADE – Ao defender que o Sistema Brasileiro de TV Digital aponta para uma realidade em que o telespectador é protagonista, quando se pensa em uma programação interativa, Vezzani Neto sugere a implementação de um Guia Eletrônico de Programação. “Esse recurso é padrão no sistema e pode disponibilizar para os telespectadores todos os programas de determinado curso, possibilitando maior flexibilidade no acesso aos conteúdos disponibilizados”, recomenda, ao esclarecer que a partir do incremento dos recursos de interatividade, é possível utilizar smartphones como plataforma para acesso à interatividade.

Segundo o professor, a multiprogramação é outra possibilidade que pode incrementar a programação do Telecurso. Hoje, as três modalidades do programa, ensino fundamental, médio e profissionalizante, são exibidas em horários determinados nas grades de programação das emissoras, o que, em certa forma, “engessa” o acesso. “Com a multiprogramação, uma emissora de TV pode, na mesma frequência de transmissão, exibir as três modalidades de ensino ao mesmo tempo, possibilitando maior flexibilidade no acesso aos programas”, defende.

De acordo com o Prof. Dr. Elias Goulart, orientador da pesquisa, “a Educação a Distância é uma realidade no cenário educacional brasileiro com demandas crescentes e essa nova forma associada à incorporação ao sistema de televisão digital poderá potencializar ainda mais seu importante papel. As interações do usuário com os conteúdos são realizados pelo chamado ‘canal de retorno’, ou seja, o sistema deve integrar dispositivo de conexão à Internet e as interações podem utilizar o controle remoto da TV. Assim, alguns limitantes estão associados a essa tecnologia, contudo facilmente transponíveis, caso a adoção dessa solução tecnológica seja adotada, o que se espera para os próximos anos”, salienta.

A dissertação de mestrado de Moacyr Vezzani Neto, Educação Interativa: o sistema brasileiro de TV Digital como instrumento inovador de mediação para a prática de EaD, está disponível para consulta – na íntegra – no link:

http://www.uscs.edu.br/posstricto/comunicacao/dissertacoes/2014/pdf/DISSERTACAO_MOACYR_VEZZANI_NETO.pdf

Sobre o Mestrado em Comunicação da USCS

O programa de Mestrado em Comunicação da USCS objetiva contribuir com a geração e difusão do conhecimento científico no campo da Comunicação e, com isso, dar consecução à missão da universidade junto à comunidade interna e externa. Pretende ainda colaborar na formação de pesquisadores e docentes com visão crítica e científica do campo da Comunicação face a uma sociedade em constante transformação. Informações sobre o programa: http://www.uscs.edu.br/posstricto/comunicacao/.

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03/08/2015

Recursos da TV Digital podem melhorar educação a distância no Brasil, aponta estudo da USCS