Professor universitário se apropriou da teoria de um sociólogo francês para ilustrar que não é possível a prática do um modelo híbrido sem a integração das novas tecnologias

(São Caetano do Sul – SP) – A popularização da Internet no Brasil, a partir dos anos 2000, abriu portas para novos modelos de educação no país, como o ensino híbrido, que mescla aulas presenciais e virtuais. Segundo a ABED (Associação Brasileira de Ensino a Distância), em apenas dois anos, os cursos a distância cresceram 168%, contabilizando 25.166 em 2014. Diante dos dados, um especialista do mercado financeiro decidiu pesquisar as inovações no ensino brasileiro e concluiu que este formato de ensino coloca máquina e homem no mesmo patamar.

O estudo científico realizado pelo professor Marcelo Cacavallo foi concluído neste semestre, na USCS (Universidade Municipal de São Caetano do Sul), e traz apontamentos sobre práticas de ensino inovadoras a partir do uso de novas tecnologias. Na dissertação “Inovações no Ensino Híbrido: a perspectiva da teoria Ator-Rede”, o autor recorre à teoria do sociólogo francês Bruno Latour para ilustrar como os atores humanos e não humanos têm importância igual no ensino a distancia, cuja relação aluno professor é mediada por um computador.

Cacavallo entrevistou profissionais de seis universidades que oferecem cursos de ensino a distância no Brasil: Associação Brasileira de Educação a Distância, Fundação Lemann, Universidade Anhembi Morumbi e Universidade Metodista de São Paulo. Com a ajuda de um software alemão que analisa o conteúdo de entrevistas, o pesquisador identificou 30 palavras usadas com maior frequência pelos entrevistados e concluiu que a comunicação é essencial neste processo. “Todos destacaram a importância do papel da comunicação para o sucesso do modelo”, sinaliza.

INTEGRAÇÃO – O professor constatou que não é possível a prática do ensino híbrido sem a integração da tecnologia. “Os atores não humanos (computadores, por exemplo) interagem com atores humanos e fazem com que estes busquem uma ação”, explica Cacavallo, ao comentar os resultados de sua pesquisa, que vincula a palavra aula à palavra rede. “Rede é espaço, rede é tempo, rede é produção. A criação de novos formatos de aula é percebida na citação vinculada ao termo. Aulas presenciais misturadas com aulas virtuais, bem como o formato do conteúdo para estas”, discorre.

Na análise do pesquisador, esta relação pode ser entendida com o apoio da teoria de Latour, que dá o mesmo peso às “coisas” e aos seres humanos. “Significa dar a mesma importância aos objetos e aos não objetos, humanos e não humanos, todos actantes de uma rede em que a mediação e a tradução são o mais relevante. Relações são construídas onde os atores em rede interagem entre si a todo o momento, formando um híbrido.”

Ao avaliar o patamar tecnológico ao qual a sociedade está submetida, o pesquisador reintera que a cultura digital está incorporada no dia a dia das pessoas, sobretudo no contexto educacional. “Aparelhos que comunicam, são inteligentes e que mudam a todo instante as nossas vidas. Esta pesquisa mostra que educação e tecnologia sempre caminharam e caminham juntas, seja em cursos tradicionais, cursos a distância, ou em modelos de ensino híbrido.”

O autor do estudo destaca ainda que com a convergência dos meios de comunicação para o ciberespaço, a integração das tecnologias de comunicação digitais às práticas escolares fortalece ainda mais o modelo híbrido, aliás, considerada a modalidade mais comum no Brasil – neste tipo de curso, 20% das aulas são online. Além disso, a pesquisa apontou que esta modalidade tem outras características: “qualquer curso pode ser considerado híbrido, desde que o aluno pratique estudos fora de sua sala de aula”, indicam os especialistas que colaboraram com o estudo.

Orientador do trabalho, o professor doutor Alan Angeluci reforça que “o estudo de Cacavallo é inovador pois não foram identificados registros na literatura de uma análise sobre o ensino híbrido no Brasil a partir da teoria Ator-Rede”. E conclui: “o trabalho pode abrir um novo caminho de aplicação da teoria a outros contextos onde a relação homem-máquina ainda está mal resolvida”.

Sobre o Mestrado em Comunicação

O programa de Mestrado em Comunicação da USCS objetiva contribuir com a geração e difusão do conhecimento científico no campo da Comunicação e, com isso, dar consecução à missão da universidade junto à comunidade interna e externa. Pretende ainda contribuir na formação de pesquisadores e docentes com visão crítica e científica do campo da Comunicação face a uma sociedade em constante transformação. Informações sobre o programa: http://www.uscs.edu.br/posstricto/comunicacao/.

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Pesquisa indica que homem e máquina têm a mesma importância no ensino a distância